Finalmente chegou ao fim a novela mais emblemática dos últimos anos. “Avenida Brasil” parou o país, parecia final de Copa do Mundo, poucas vezes se viu algo tão intenso.
Como se conseguiu tal proeza? Só se falou no final da novela durante todo o dia de sexta-feira (19). O brasileiro viu matérias nos principais jornais da TV Globo, chamadas do “Globo Repórter”, que também foi ao ar em homenagem ao folhetim, declarações de artistas de outras emissoras, inclusive. A movimentação foi imensurável.
E a novela? Ah, que novela! Belo texto, atuações impecáveis, final digno, direção perfeita...
Escrevi vários textos sobre “Avenida Brasil”. Em um deles, relatei que cada capítulo deste folhetim, diferentemente de todos os outros que já vi passar por esse ou qualquer outro horário, parecia o primeiro e, ao mesmo tempo, o último.
O primeiro capítulo de “Avenida Brasil” arrepiou, emocionou. Jamais o país esquecerá daquele dia, daquelas cenas. E incontáveis outros capítulos poderiam ser os últimos por terem sido tão intensos e densos.
Quem não se lembra de Carminha enterrando Nina ou Nina cortando os cabelos de Carminha?
E com o passar do tempo, o brasileiro foi percebendo que cada capítulo era melhor que o outro e cada um tinha um segredo a ser revelado. Não houve “barrigas”, houve novela, houve arte.
Desnecessário, de tão perfeito que foi, falar aqui do trabalho de Adriana Esteves. Nasceu ali uma nova atriz. E há quem diga que já é a melhor de sua geração. E não seria tanto exagero, sabemos disso.
Nina se vingou de Carminha de todos os jeitos: do sutil ao violento. A vilã aprontou, mas se arrependeu, foi perdoada. “Eu não consegui perdoá-la, mas admiro vocês (Jorginho e Nina) por terem conseguido”, dizia Tufão em uma das últimas cenas. Diálogo que comprova: “Avenida Brasil” foi mais que uma novela, foi realidade. O ser-humano despido de hipocrisias ou tantos contos de fadas.
João Emanuel Carneiro criou, assim, um novo padrão de qualidade para qualquer folhetim que venha a ser produzido. Algo que exige muito mais dos escritores e diretores: é necessário que o telespectador tenha revelações durante toda a novela. Sábados merecem capítulos épicos.
“Avenida Brasil” revelou que dá para se construir uma trama sem arrastá-la tanto. João Emanuel jogou contra a história e começou uma nova fase na teledramaturgia brasileira. De agora em diante, a referência de qualquer novela boa atende pelo nome de uma avenida. Uma avenida que não será esquecida por nenhum dos 190 milhões de brasileiros.


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